Hoje deixo aqui um pouco da minha caminhada por Mêda, uma cidade onde o granito guarda séculos e as ruas parecem sussurrar histórias que não cabem nos livros. Há algo de especial nesta terra alta: a luz pousa diferente nas pedras, o silêncio tem profundidade e cada esquina parece carregar uma memória antiga.
Dizem que, em tempos remotos, a povoação não era aqui no alto, mas sim num vale mais abaixo. Chamavam-lhe o “vale da aldeia”. Contam que, um dia, um fenómeno estranho abalou a comunidade — uns falam de enxames, outros de presságios — e o povo decidiu abandonar o vale e subir para este outeiro onde hoje está a cidade. Trouxeram as casas, as rezas, os medos e as esperanças. E, assim, nasceu a Mêda como a conhecemos: uma vila erguida pela vontade de recomeçar.
Mas as histórias não acabam aqui. Também se fala de Albaninho, um homem de força tão lendária que se tornou parte da identidade local. Diz-se que, numa tarde qualquer, terá levantado um banco de pedra — daqueles pesadíssimos que ainda existem junto à igreja — e o partiu ao meio só com a sua força. Uns juram que viram, outros dizem que é exagero de povo; mas, verdade ou não, a lenda vive porque Mêda sempre soube dar grandeza ao que nasce do quotidiano.
É isso que sinto sempre que volto: uma cidade pequena, mas com histórias gigantes — algumas reais, outras emprestadas pela imaginação. Todas, porém, fazem parte do que Mêda é hoje.
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